Nossa Senhora de Fatima

Nossa Senhora de Fatima

sábado, 6 de dezembro de 2008

Tarcísio Nodari


Igreja Matriz de São Francisco de Paula
Com a estátua do santo padroeiro na praça em frente

TARCÍSIO DOMINGOS ROSÁRIO NODARI nasceu em 26 de setembro de 1916, na cidade gaúcha de Antonio Prado-RS.
Filho dos emigrantes italianos Atílio Nodari e Mariana Michielin Nodari, Tarcísio era casado com a gaúcha Julieta Boschi Nodari, ambos naturais de Antonio Prado- RS. De seu casamento, que perdurou por 63 anos, o casal teve seis filhos: Ely Luís Nodari, que se tornou padre missionário redentorista e faleceu aos 45 anos; Mariana Beatriz Nodari, que subscreve este artigo, Benjamim José Nodari, falecido, Rosa Teresinha Nodari Mairèsse, Afonso Maria Nodari e Maria José Nodari.
Residiu com a família em Antonio Prado até 1949 quando, atendendo a convite de seu irmão, Remígio Nodari, fixou residência com seus familiares em São Francisco de Paula, onde permaneceu por mais de 50 anos, até a data de sua morte.
Tarcísio dedicou sua vida aos trabalhos de marcenaria, utilizando sempre madeiras nobres como o cedro e o louro, com o que fabricava móveis de todos os tipos para a casa, dos mais simples aos mais sofisticados: camas com pernas torneadas e cabeceiras trabalhadas com entalhes delicados, mesas também com pernas torneadas, cadeiras, lindas escadas em madeira nobre para muitas residências da cidade. Fez também esquadrias, portas e janelas, para muitas casas e igrejas. Sabia construir casas de madeira, no que se revelava carpinteiro eficiente e apreciador do estilo colonial.

 Todas as casas em que morou com sua família em São Francisco de Paula foram feitas por ele e existem até hoje na cidade.Tarcísio trabalhou por longo 
tempo, ao lado de pedreiros e carpinteiros, na construção da atual igreja matriz de São Francisco de Paula-RS.










ùltima casa feita por Tarcísio Nodari em Sâo Francisco de Paula - Foto de Daniel Nodari Mairesse ( neto de Tarcísio )


Seu talento e sua capacidade profissional, no entanto, estão retratados em sua obra mais bela: o 
conjunto de portas, bancos e altares da atual igreja matriz de São Francisco de Paula-RS. As portas, tanto exteriores como interiores foram feitas em cedro e esculpidas totalmente à mão, mostrando detalhes litúrgicos. Os bancos da igreja enchem toda a nave da igreja. Na sacristia está um belo armário em cedro, com decoração floral esculturada em madeira.

Portas frontais da igreja Matriz

A originalidade dos altares merece uma menção especial: eles imitam um imenso tronco de árvore, formado por inúmeros pedaços de madeira trabalhados individualmente e colocados lado a lado em sentido vertical. Do tronco partem alguns galhos, cortados de modo a formarem prateleiras para vasos de flor.


O altar central é de uma beleza rara, uma verdadeira jóia, encimado pelo tabernáculo, acima do qual está uma imensa cruz de cedro. O Cristo crucificado é uma estátua em gesso.


Certa feita um sacerdote carioca em visita à cidade, ficou encantado com a beleza e originalidade desse altar. Pediu a Tarcísio, que fabricou altar semelhante para uma igreja na cidade de Macaé-RJ, tendo ele mesmo acompanhado o transporte até Macaé-RJ e feito lá a montagem da peça na igreja.


Os dois altares laterais da igreja matriz de São Francisco de Paula-RS seguem a idéia do altar central, na imitação do tronco de árvore, com a diferença que são encimados por estátuas em tamanho natural: no alto do altar direito está a imagem de Maria Santíssima e no altar que fica à esquerda se encontra a imagem do Sagrado Coração de Jesus.


Outro detalhe importante nas peças em madeira dessa igreja é que Tarcísio fabricou o altar para o sacrifício da Missa à semelhança de um banco de carpinteiro. Fez isso por duas razões: primeiro porque ele tinha grande devoção a São José, o carpinteiro de Nazaré escolhido por Deus como pai nutrício do Menino Jesus e segundo, porque ele queria deixar no altar da igreja um reflexo de seu próprio banco de trabalho.


Você que nos lê é convidado a visitar a igreja matriz em São Francisco de Paula-RS, para poder ver e apreciar adequadamente essa bela igreja.


Uma palavra final sobre Tarcísio: homem simples e austero, de formação primária incompleta, lutou durante toda a sua vida para o sustento da família, que era sua maior riqueza. Ensinou com o exemplo a honestidade pessoal e a fidelidade matrimonial, nos seus 63 anos de vida conjugal. Foi fiel no amor a Deus e à Igreja Católica, na frequência à Missa dominical e na oração do terço mariano diário. Era grande devoto do escapulário que sempre trouxe consigo e expirou no dia da festa litúrgica de Nossa Senhora do Carmo, sinal evidente que a Virgem Maria o acolhia em seus braços para levá-lo para a casa do Pai.
Conheça mais sobre São Francisco de Paula RS http://www.saochico.com.br/

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Quarta Feira de Cinzas

Homilia de Bento XVI, na quarta feira de cinzas de 2007 (http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/homilies/2007/documents/hf_ben-xvi_hom_20070221_ash-wednesday_po.html)
Queridos irmãos e irmãs!
Com a procissão penitencial entrámos no clima austero da Quaresma e introduzindo-nos na Celebração eucarística rezámos há pouco para que o Senhor ajude o povo cristão a "iniciar um caminho de verdadeira conversão para enfrentar vitoriosamente com as armas da penitência o combate contra o espírito do mal" (Oração da Colecta). Ao receber daqui a pouco as cinzas sobre a cabeça, ouviremos mais uma vez um claro convite à conversão que pode expressar-se numa fórmula dupla: "Convertei-vos e acreditai no evangelho", ou: "Recorda-te que és pó e em pó te hás-de tornar". Precisamente devido à riqueza dos símbolos e dos textos bíblicos, a Quarta-Feira de Cinzas é considerada a "porta" da Quaresma. De facto, a hodierna liturgia e os gestos que a distinguem formam um conjunto que antecipa de modo sintético a própria fisionomia de todo o período quaresmal. Na sua tradição, a Igreja não se limita a oferecer-nos a temática litúrgica e espiritual do itinerário quaresmal, mas indica-nos também os instrumentos ascéticos e práticos para o percorrer frutuosamente.
"Convertei-vos a mim de todo o vosso coração com jejuns, com lágrimas, com gemidos". Com estas palavras inicia a Primeira Leitura, tirada do livro do profeta Joel (2, 12). Os sofrimentos, as calamidades que afligiam naquele tempo a terra de Judá estimulam o autor sagrado a encorajar o povo eleito à conversão, isto é, a voltar com confiança filial ao Senhor dilacerando o seu coração e não as vestes. De facto, recorda o profeta, ele "é clemente e compassivo, paciente e rico em misericórdia e se compadece da desgraça" (2, 13). O convite que Joel dirige aos seus ouvintes também é válido para nós, queridos irmãos e irmãs. Não hesitemos em reencontrar a amizade de Deus perdida com o pecado; encontrando o Senhor experimentamos a alegria do seu perdão. E assim, quase respondendo às palavras do profeta, fizemos nossa a invocação do refrão do Salmo responsorial: "Perdoai-nos Senhor, porque pecámos". Proclamando o Salmo 50, o grande Salmo penitencial, apelámo-nos à misericórdia divina; pedimos ao Senhor que o poder do seu amor nos volte a dar a alegria de sermos salvos.
Com este espírito, iniciamos o tempo favorável da Quaresma, como nos recordou São Paulo na Segunda Leitura, para nos deixarmos reconciliar com Deus em Cristo Jesus. O Apóstolo apresenta-se como embaixador de Cristo e mostra claramente como precisamente através d'Ele, seja oferecida ao pecador, isto é a cada um de nós, a possibilidade de uma reconciliação autêntica.
"Aquele que não havia conhecido o pecado diz ele Deus o fez pecado por nós, para que nos tornássemos, nele, justiça de Deus" (2 Cor 5, 21). Só Cristo pode transformar qualquer situação de pecado em novidade de graça. Eis por que assume um forte impacto espiritual a exortação que Paulo dirige aos cristãos de Corinto: "Em nome de Cristo suplicamo-vos: reconciliai-vos com Deus"; e ainda: "Este é o tempo favorável, é este o dia da salvação" (5, 20; 6, 2). Enquanto Joel falava do futuro dia do Senhor como de um dia de terrível juízo, São Paulo, referindo-se às palavras do profeta Isaías, fala de "momento favorável", de "dia da salvação". O futuro dia do Senhor tornou-se o "hoje". O dia terrível transformou-se na Cruz e na Ressurreição de Cristo, no dia da salvação. E este dia é agora, como ouvimos no Canto ao Evangelho: "Hoje não endureçais os vossos corações, mas ouvi a voz do Senhor". O apelo à conversão, à penitência ressoa hoje com toda a sua força, para que o seu eco nos acompanhe em cada momento da vida.
A liturgia da Quarta-Feira de Cinzas indica assim na conversão do coração a Deus a dimensão fundamental do tempo quaresmal. Esta é a chamada muito sugestiva que nos vem do tradicional rito da imposição das cinzas, que daqui a pouco renovaremos. Rito que assume um dúplice significado: o primeiro relativo à mudança interior, à conversão e à penitência, enquanto o segundo recorda a precariedade da condição humana, como é fácil compreender das duas fórmulas diversas que acompanham o gesto. Aqui em Roma, a procissão penitencial da Quarta-Feira de Cinzas parte de Santo Anselmo e conclui-se nesta basílica de Santa Sabina, onde tem lugar a primeira estação quaresmal. A este propósito é interessante recordar que a antiga liturgia romana, através das estações quaresmais, tinha elaborado uma singular geografia da fé, partindo da ideia que, com a chegada dos apóstolos Pedro e Paulo e com a destruição do Templo, Jerusalém se tivesse transferido para Roma. A Roma cristã era vista como uma reconstrução da Jerusalém do tempo de Jesus dentro dos muros da Cidade. Esta nova geografia interior e espiritual, ínsita na tradição das igrejas "estacionais" da Quaresma, não é uma simples recordação do passado, nem uma antecipação vazia do futuro; ao contrário, pretende ajudar os fiéis a percorrer um caminho interior, o caminho da conversão e da reconciliação, para chegar à glória da Jerusalém celeste onde Deus habita.
Amados irmãos e irmãs, temos quarenta dias para aprofundar esta extraordinária experiência ascética e espiritual. No Evangelho que foi proclamado, Jesus indica quais são os instrumentos úteis para realizar a autêntica renovação interior e comunitária: as obras de caridade (a esmola), a oração e a penitência (o jejum). São as três práticas fundamentais queridas também à tradição hebraica, porque contribuem para purificar o homem aos olhos de Deus (cf. Mt 6, 1-6.16-18).
Estes gestos exteriores, que devem ser realizados para agradar a Deus e não para obter a aprovação e o consenso dos homens, são por Ele aceites se expressam a determinação do coração a servi-l'O, com simplicidade e generosidade. Recorda-nos isto também um dos Prefácios quaresmais onde, em relação ao jejum, lemos esta singular expressão: "ieiunio... mentem elevas: com o jejum elevas o espírito" (Prefácio IV).
O jejum, ao qual a Igreja nos convida neste tempo forte, certamente não nasce de motivações de ordem física ou estética, mas brota da exigência que o homem tem de uma purificação interior que o desintoxique da poluição do pecado e do mal; que o eduque para aquelas renúncias saudáveis que libertam o crente da escravidão do próprio eu; que o torne mais atento e disponível à escuta de Deus e ao serviço dos irmãos. Por esta razão o jejum e as outras práticas quaresmais são consideradas pela tradição cristã "armas" espirituais para combater o mal, as paixões negativas e os vícios. A este propósito, apraz-me ouvir de novo convosco um breve comentário de São João Crisóstomo. "Como no findar do Inverno escreve ele volta a estação do Verão e o navegante arrasta para o mar a nave, o soldado limpa as armas e treina o cavalo para a luta, o agricultor lima a foice, o viandante revigorado prepara-se para a longa viagem e o atleta depõe as vestes e prepara-se para as competições; assim também nós, no início deste jejum, quase no regresso de uma Primavera espiritual forjamos as armas como os soldados, limamos a foice como os agricultores, e como timoneiros reorganizamos a nave do nosso espírito para enfrentar as ondas das paixões. Como viandantes retomamos a viagem rumo ao céu e como atletas preparamo-nos para a luta com o despojamento de tudo" (Homilias ao povo antioqueno, 3).
Na mensagem para a Quaresma, convidei a viver estes quarenta dias de especial graça como um tempo "eucarístico". Haurindo daquela fonte inexaurível de amor que é a Eucaristia, na qual Cristo renova o sacrifício redentor da Cruz, cada cristão pode perseverar no itinerário que hoje empreendemos solenemente. As obras de caridade (a esmola), a oração, o jejum juntamente com qualquer outro esforço sincero de conversão encontram o seu significado mais alto e valor na Eucaristia, centro e ápice da vida da Igreja e da história da salvação. "Este sacramento que recebemos, ó Pai assim rezamos no final da Santa Missa nos ampare no caminho quaresmal, santifique o nosso jejum e o torne eficaz para a cura do nosso espírito". Pedimos a Maria que nos acompanhe para que, no final da Quaresma, possamos contemplar o Senhor ressuscitado, interiormente renovados e reconciliados com Deus e com os irmãos. Amém!

© Copyright 2007 - Libreria Editrice Vaticana

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Padre Ladislau Molnár


SUPERIOR GERAL
Padre Ladislau Molnár nasceu na cidade húngara de Székesfehérvár, no dia 03 de julho de 1931 e foi batizado no dia 12 de julho do mesmo ano. Seus pais, János e Erzsébet, eram pequenos agricultores. Profundamente católicos, cultivavam a oração em família e a freqüência assídua à Santa Missa. Sua mãe tinha por hábito ler diariamente a Bíblia, momento que aproveitava para catequizar as crianças. Ensinou sempre a prática das virtudes e a honestidade. Sua fé teve como base o amor à Eucaristia, a Maria Santíssima e a fidelidade à Igreja e ao Santo Padre. Em 16 de junho de 1938 fez a sua primeira comunhão. Em 1943, com 12 anos, perdeu sua mãe. Buscou junto a Maria Santíssima o consolo e o apoio materno que lhe faltaram. Desde muito cedo trabalhou como líder paroquial entre os jovens, sendo crismado em 25 de maio de 1947. Padre Ladislau, ainda Seminarista, procurou o Bispo em Székesfehérvár, pedindo que não cedesse às pressões do regime comunista pelo rompimento com o Roma. Ouviu naquela ocasião: "Devemos romper, ou todos morreremos". Obediente, porém, profundamente desapontado, Padre Ladislau saiu, batendo a porta. Graças à sua posição firme, e suas palavras de encorajamento, três dias depois, chamado pelo Bispo, recebeu dele uma resposta diferente: "Não nos separaremos de Roma".
Em 1952, com o fechamento dos Seminários, todos os seminaristas foram dispersados e perseguidos. Diante daquela situação, o então seminarista partiu para a cidade de Szeged, onde funcionava de forma limitada um Seminário, pedindo para ser aceito, juntamente com 44 companheiros. Recebendo uma resposta afirmativa, contatou pessoalmente cada um dos ex-seminaristas que, após uma breve resistência (Padres eram indesejados pelo regime), aceitaram a sugestão e retornaram ao Seminário. Em 19 de junho de 1957 foi ordenado sacerdote pelo Bispo diocesano Shvoy Lajos, com o lema de ordenação: “Os Judeus pedem sinais, os gregos reclamam a sabedoria; nós, porém, anunciamos Cristo crucificado” (1 Cor 1, 22a). Celebrou sua primeira Santa Missa a 23 de junho do mesmo ano, na Paróquia Sagrado Coração de Jesus. Seguiram-se 09 anos de um difícil trabalho pastoral em Káloz e Budapeste. Organizou pequenos grupos, de forma clandestina, trabalhando a oração do terço mariano em grupos de cinco jovens. Muitos deles ainda vivem nos dias de hoje, e mantêm viva a recordação do Padre Ladislau. Em agosto de 1966, sob intensa perseguição e constantes ameaças de morte, foi necessário deixar a Hungria. Partiu para Roma com a ajuda de amigos, disposto a evangelizar em qualquer lugar do mundo. Trabalhou um ano com o monsenhor Joseph Zagon, na Pastoral dos imigrantes húngaros. Desejando ser missionário na África, pediu o visto de entrada no Congo Belga, porém, devido à guerra no país, não foi aceito. Em 1967, foi convidado pelos beneditinos a vir para o Brasil. Aceitando, fixou-se em São Paulo, no bairro Morumbi, onde auxiliou na Paróquia Santa Cecília. Em 1968, ao visitar, em Porto Alegre, o Dr. Luiz Mezgar, sacerdote húngaro, foi convidado pelo Cardeal Dom Vicente Scherer a trabalhar no Sul, pastoreando os imigrantes húngaros. Aceito o convite, foi incardinado no dia 11 de novembro de 1968. Em seguida, foi nomeado para a recém formada Paróquia São Martinho.
veja mais no site http://www.fundacaofraternidade.org.br/portugues/superiorgeral/superiorgeral1.asp

Fundação da Fraternidade Nossa Senhora da Evangelização
A partir de 1985, Padre Ladislau Molnár sentiu o chamado de Deus a uma obra nova, fruto da ação do Espírito Santo. Aos poucos, foi-se delineando a formação de uma comunidade missionária, aos moldes das sociedades de vida apostólica como a Shalom, no Brasil, Taizé e Emanuel, na França, entre outras.
Após um período de discernimento, Padre Ladislau, e seus colaboradores, com aprovação do Conselho Paroquial da Paróquia São Martinho, Paróquia na qual o Padre Ladislau era Pároco, fundaram a 04 de dezembro de 1990 a Fraternidade Nossa Senhora da Evangelização com o carisma de “ser sinal visível e permanente da presença viva, amorosa e misericordiosa de Jesus, hoje no mundo”.
Uma primeira experiência como comunidade de vida (leigos vivendo mais intensamente o evangelho), foi feita de 22 de julho a 21 de agosto de 1994, com o primeiro Retiro de Convivência para Consagrados da Fraternidade. Neste período, além do discernimento vocacional, foi enfatizado o carisma da Fraternidade e a sua importância no mundo atual.

Promoção vocacional
Padre Ladislau Molnár sempre teve uma grande preocupação com as vocações sacerdotais. Já vimos o que aconteceu na Hungria, quando do fechamento dos Seminários, e a batalha que ele travou para que todos os seminaristas retornassem aos estudos, e chegassem à ordenação. Igualmente, aqui no Brasil, os vocacionados ao sacerdócio, poderíamos dizer, são a grande preocupação do Padre Ladislau.
Nos dias 11 a 15 de julho de 1994, Padre Ladislau, com grande alegria, recebeu na Casa de Retiros Nossa Senhora da Evangelização, construída e administrada pela Fraternidade, em torno de 100 Seminaristas para um Retiro Espiritual. Muitos destes Seminaristas atualmente são Sacerdotes atuantes. No momento, a Fraternidade Nossa Senhora da Evangelização está empenhada na promoção e formação de sacerdotes, que serão acolhidos e preparados na futura Casa Vocacional e de Formação da Fraternidade, o TABERNÁCULO DE DEUS, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul.

Projetos para o futuro
Padre Ladislau nos conta o que está por vir: “Nosso trabalho não pode parar, o Evangelho precisa continuar sendo anunciado. Já estamos há mais de 15 anos levando esperança e mudança de vida através de formação, retiros espirituais, atividade missionária e também através da mídia.
Já conseguimos evangelizar a muitos, mas queremos atingir a todos, nos cinco Continentes. Precisamos adquirir novas Rádios, transmitir nossos próprios programas de TV através de nossas Retransmissoras, firmar novas parcerias, construir estúdios para TV e Rádio, como também um Centro de Formação para leigos missionários, sacerdotes e para assistência social.
O nome deste Centro já está definido, será chamado “TABERNÁCULO DE DEUS”, como também o local, Porto Alegre. Nossa linha de frente nesta Obra são nossos missionários e missionárias que, com sua colaboração financeira, são verdadeiros instrumentos de Deus. Sei que vamos conseguir. Jesus precisa de todos nós para fazer crescer esta obra. Ele quis assim”.

domingo, 23 de novembro de 2008

Papa Bento XVI

O Cardeal Joseph Ratzinger, Papa Bento XVI, nasceu em Marktl am Inn, diocese de Passau (Alemanha), no dia 16 de Abril de 1927 (Sábado Santo), e foi baptizado no mesmo dia. O seu pai, comissário da polícia, provinha duma antiga família de agricultores da Baixa Baviera, de modestas condições económicas. A sua mãe era filha de artesãos de Rimsting, no lago de Chiem, e antes de casar trabalhara como cozinheira em vários hotéis.
Passou a sua infância e adolescência em Traunstein, uma pequena localidade perto da fronteira com a Áustria, a trinta quilómetros de Salisburgo. Foi neste ambiente, por ele próprio definido «mozarteano», que recebeu a sua formação cristã, humana e cultural.
O período da sua juventude não foi fácil. A fé e a educação da sua família prepararam-no para enfrentar a dura experiência daqueles tempos, em que o regime nazista mantinha um clima de grande hostilidade contra a Igreja Católica. O jovem Joseph viu os nazistas açoitarem o pároco antes da celebração da Santa Missa.
Precisamente nesta complexa situação, descobriu a beleza e a verdade da fé em Cristo; fundamental para ele foi a conduta da sua família, que sempre deu um claro testemunho de bondade e esperança, radicada numa conscienciosa pertença à Igreja.
Nos últimos meses da II Guerra Mundial, foi arrolado nos serviços auxiliares anti-aéreos.
Recebeu a Ordenação Sacerdotal em 29 de Junho de 1951.
Um ano depois, começou a sua actividade de professor na Escola Superior de Freising.
No ano de 1953, doutorou-se em teologia com a tese «Povo e Casa de Deus na doutrina da Igreja de Santo Agostinho». Passados quatro anos, sob a direcção do conhecido professor de teologia fundamental Gottlieb Söhngen, conseguiu a habilitação para a docência com uma dissertação sobre «A teologia da história em São Boaventura».
Depois de desempenhar o cargo de professor de teologia dogmática e fundamental na Escola Superior de Filosofia e Teologia de Freising, continuou a docência em Bonn, de 1959 a 1963; em Münster, de 1963 a 1966; e em Tubinga, de 1966 a 1969. A partir deste ano de 1969, passou a ser catedrático de dogmática e história do dogma na Universidade de Ratisbona, onde ocupou também o cargo de Vice-Reitor da Universidade.
De 1962 a 1965, prestou um notável contributo ao Concílio Vaticano II como «perito»; viera como consultor teológico do Cardeal Joseph Frings, Arcebispo de Colónia.
A sua intensa actividade científica levou-o a desempenhar importantes cargos ao serviço da Conferência Episcopal Alemã e na Comissão Teológica Internacional.
Em 25 de Março de 1977, o Papa Paulo VI nomeou-o Arcebispo de München e Freising. A 28 de Maio seguinte, recebeu a sagração episcopal. Foi o primeiro sacerdote diocesano, depois de oitenta anos, que assumiu o governo pastoral da grande arquidiocese bávara. Escolheu como lema episcopal: «Colaborador da verdade»; assim o explicou ele mesmo: «Parecia-me, por um lado, encontrar nele a ligação entre a tarefa anterior de professor e a minha nova missão; o que estava em jogo, e continua a estar – embora com modalidades diferentes –, é seguir a verdade, estar ao seu serviço. E, por outro, escolhi este lema porque, no mundo actual, omite-se quase totalmente o tema da verdade, parecendo algo demasiado grande para o homem; e, todavia, tudo se desmorona se falta a verdade».
Paulo VI criou-o Cardeal, do título presbiteral de “Santa Maria da Consolação no Tiburtino”, no Consistório de 27 de Junho desse mesmo ano.
Em 1978, participou no Conclave, celebrado de 25 a 26 de Agosto, que elegeu João Paulo I; este nomeou-o seu Enviado especial ao III Congresso Mariológico Internacional que teve lugar em Guayaquil (Equador) de 16 a 24 de Setembro. No mês de Outubro desse mesmo ano, participou também no Conclave que elegeu João Paulo II.
Foi Relator na V Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos realizada em 1980, que tinha como tema «Missão da família cristã no mundo contemporâneo», e Presidente Delegado da VI Assembleia Geral Ordinária, celebrada em 1983, sobre «A reconciliação e a penitência na missão da Igreja».
João Paulo II nomeou-o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e Presidente da Pontifícia Comissão Bíblica e da Comissão Teológica Internacional, em 25 de Novembro de 1981. No dia 15 de Fevereiro de 1982, renunciou ao governo pastoral da arquidiocese de München e Freising. O Papa elevou-o à Ordem dos Bispos, atribuindo-lhe a sede suburbicária de Velletri-Segni, em 5 de Abril de 1993.
Foi Presidente da Comissão encarregada da preparação do Catecismo da Igreja Católica, a qual, após seis anos de trabalho (1986-1992), apresentou ao Santo Padre o novo Catecismo.
A 6 de Novembro de 1998, o Santo Padre aprovou a eleição do Cardeal Ratzinger para Vice-Decano do Colégio Cardinalício, realizada pelos Cardeais da Ordem dos Bispos. E, no dia 30 de Novembro de 2002, aprovou a sua eleição para Decano; com este cargo, foi-lhe atribuída também a sede suburbicária de Óstia.
Em 1999, foi como Enviado especial do Papa às celebrações pelo XII centenário da criação da diocese de Paderborn, Alemanha, que tiveram lugar a 3 de Janeiro.
Desde 13 de Novembro de 2000, era Membro honorário da Academia Pontifícia das Ciências.
Na Cúria Romana, foi Membro do Conselho da Secretaria de Estado para as Relações com os Estados; das Congregações para as Igrejas Orientais, para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, para os Bispos, para a Evangelização dos Povos, para a Educação Católica, para o Clero, e para as Causas dos Santos; dos Conselhos Pontifícios para a Promoção da Unidade dos Cristãos, e para a Cultura; do Tribunal Supremo da Signatura Apostólica; e das Comissões Pontifícias para a América Latina, «Ecclesia Dei», para a Interpretação Autêntica do Código de Direito Canónico, e para a revisão do Código de Direito Canónico Oriental.
Entre as suas numerosas publicações, ocupam lugar de destaque o livro «Introdução ao Cristianismo», uma compilação de lições universitárias publicadas em 1968 sobre a profissão de fé apostólica, e o livro «Dogma e Revelação» (1973), uma antologia de ensaios, homilias e meditações, dedicadas à pastoral.
Grande ressonância teve a conferência que pronunciou perante a Academia Católica Bávara sobre o tema «Por que continuo ainda na Igreja?»; com a sua habitual clareza, afirmou então: «Só na Igreja é possível ser cristão, não ao lado da Igreja».
No decurso dos anos, continuou abundante a série das suas publicações, constituindo um ponto de referência para muitas pessoas, especialmente para os que queriam entrar em profundidade no estudo da teologia. Em 1985 publicou o livro-entrevista «Relatório sobre a Fé» e, em 1996, «O sal da terra». E, por ocasião do seu septuagésimo aniversário, publicou o livro «Na escola da verdade», onde aparecem ilustrados vários aspectos da sua personalidade e da sua obra por diversos autores.
Recebeu numerosos doutoramentos «honoris causa»: pelo College of St. Thomas em St. Paul (Minnesota, Estados Unidos), em 1984; pela Universidade Católica de Eichstätt, em 1987; pela Universidade Católica de Lima, em 1986; pela Universidade Católica de Lublin, em 1988; pela Universidade de Navarra (Pamplona, Espanha), em 1998; pela Livre Universidade Maria Santíssima Assunta (LUMSA, Roma), em 1999; pela Faculdade de Teologia da Universidade de Wroclaw (Polónia) no ano 2000.

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